sábado, 5 de dezembro de 2009

Cadê o CD da Simone???

As lojas ainda não estão tocando o CD da Simone! Cadê o CD da Simone??? Cadê???

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Vestido da Geisy. E o kiko?

Eu tinha decidido não me pronunciar sobre o assunto mais falado nas últimas semanas, mas depois de ler vários blogs se posicionando a respeito, uns crucificando a Geisy, outros criticando a atitude da Universidade, resolvi falar também sobre.

Mas como sou noiado, a questão que coloco é: o que porra eu tenho a ver com o vestido da Geisy? Por que me posicionar a respeito disso? O que isso interfere na minha vida? Digo isso por ler num blog local , algo do tipo: “Pessoas de bunda grande não tem o direito de mostrá-las em todo lugar(...) E aquele vestido, por si só, já é uma afronta. (...) Lembro de Raimunda (...) que usava um vestido igualzinho, com a mesma intenção, e, ao contrário de Geisy, não se fazia de rogada quando causava tumulto na feira, na época chamar de gostosa não era agressão nem tinha celular pré-pago pra filmar (...)nos salve de tamanha vulgaridade e breguice.”

O que mais me incomda é o fato das pessoas se incomodarem com isso. Não se tem mais nada para fazer? Eu não posso me posicionar contra ou a favor da Geisy ou da Uniban porque simplesmente não tenho contato com nenhuma das duas; eu não estava presente no momento do acontecimento; tudo que sei me foi passado pela mídia, distorcido por inúmeros pontos-de-vista. Eu não me reservo no direito em momento algum de chamá-la de puta ( Afinal existem tantas putas legítimas que se escondem embaixo de roupas comportadas!). Todo mundo tem o direito de se vestir da maneira que mais agrada (mesmo que fira nossos olhos), contanto que não me ofenda como ser humano. Tipo: se ela quiser usar o chapéu-sapato criado pela dupla Schiaparelli/Dali para ir assistir aula, não vejo problema nenhum nisso; se ela quiser usar vestido com um priquito estampado, também não. Me incomodaria se ela usasse uma camiseta panfletária pregando a superioridade da raça branca, por exemplo. Isso sim me incomodaria, porque se faz pelo uso da liberdade de expressão dela, mas atinge a minha liberdade também. De existir, de pretender viver num mundo em que as pessoas não ameacem minha integridade física ou mental.

Se o primeiro babaca não tivesse gritado: “Gostosa!” nada disso teria acontecido. A manada de retrógrados não teria se encorajado e não haveria tumulto. Mas o que mais estranha é a Uniban tê-la expulsado (e depois ter voltado atrás). Como muitos dos valores distorcidos no nosso mundo contemporâneo, a culpa é sempre do mais fraco, do perseguido pela turba. É o mesmo que acusar uma mulher por ter sido estuprada, de acusar a vítima por ter sido assaltada na rua, de acusar o funcionário exemplar que foi demitido por causar inveja nos colegas incompetentes. Enfim, é “o mundo à revelia” (parafraseando o professor João Luís Lafetá) , no qual está certo o que está errado (considerado aqui as noções de certo e errado que me foram passadas quando eu era criança, talvez isso já esteja fora de moda né?)!

E o vestido nem é tão pavoroso assim! É fúcsia, tendência fluo, modelagem ampla, blusada. É o tipo de roupa que a Mulher Melancia ou Mulher Melão, ou Mulher Sei-Lá-O-Quê usaria para assistir aula, caso alguma delas tivesse capacidade mental para frequentar uma sala de aula.

O chapéu-sapato criado por Schiaparelli/Dali.

Vestido-tendência: cor fluo, efeito blusado.


Digam a verdade: quantas colegas de classe não já vimos assistir aula vestidas de forma semelhante?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Então é Natal...

Então é Natal... outra vez, mais uma vez. E o blog está prestes a comemorar um ano de existência. Se bem que nesse primeiro ano não houve muitas postagens... na verdade, foram bem poucas. É que sou como Claude Debussy, que compunha um acorde a cada três meses.
Esse blog surgiu com a finalidade desse que vos fala ter uma válvula de escape para suas neuras (noia boy = boy noiado, neurótico), falar o que o incomodava e que ninguém ouvia. Bom, aqui acho que também ninguém me lê, mas consigo exteriorizar minhas angústias, e me sinto bem melhor com isso. Resolvi escrever por causa de um filme pornô que vi esta semana. Se chama “Natal 100% Anal” (mas nem é 100% anal, na realidade), e olha só, foi um filme pornô que me fez descobrir que eu amo Natal (a data, não a cidade). No filme, quatro cenas de sexo se desenvolvem a partir de situações típicas do período natalino, como enfeitar a árvore, comprar e entregar presentes. Isso me remeteu à minha infância, quando a família era grande , meus avós eram vivos e todo ano nos reuníamos, mediante aqueles rituais de arrumar a casa, enfeitar o pé de jambo que tínhamos no jardim, montar o sino sanfonado de papel de seda, as velas verdes aromatizadas com o Papai e a Mamãe Noel, a preparação da ceia, enfim... como vocês podem perceber, as boas lembranças não são poucas. Mas quando isso se perdeu? Acho que com o falecimento do meu avô, a família se dissolveu. E tudo aquilo que era mantido coeso por ele, se despedaçou. Por isso, depois de adulto, passei a odiar o Natal (alguém lembrou do Grinch?); porque eu não tinha mais família para se reunir como antes, porque reconheci que era um estranho, que as coisas que agradavam a maioria das pessoas não me satisfaziam, quando comecei a perceber que não só o Natal, mas todas as datas comemorativas se transformaram em comércio. As pessoas não se importam mais com o significado das datas, se importam em aparentar se estão bem de vida, se importam se vão ganhar presente caro, ou o quanto as pessoas vão admirar aquele presente caro que ela comprou para o amigo secreto que ela não tem a mínima afinidade.
Enfim, eu já tenho fama de ser chato mesmo, mal humorado, anti-social, grosso, mas eu não consigo ser diferente, não consigo abrir um sorriso amarelo quando a situação não me agrada, não consigo me reunir de bom grado com a família para uma confraternização tomada de mise en scène. Acho um saco ter a obrigação de comprar presentes para as pessoas , de escrever cartões de Natal. Antes eu fazia isso. Confeccionava cartões para os mais próximos, mas depois vi que não valia a pena. O que vale é o que sentimos no decorrer do ano, as pessoas de quem gostamos, que gostam de nós e nos amparam. Isso a gente tem o ano todo para agradecer e retribuir, não precisa ser numa data comercial. Para as datas comerciais (antigamente conhecidas como “comemorativas”) , o que vale mesmo é colocar a máscara (como diria meu grande amigo Augusto de Campos) e desempenhar bem o papel.

O Natal de ontem...

... e de hoje!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sobre Pelos & Pentelhos

Demorei algum tempo para escrever este texto, refletindo sobre a validez do assunto, pois o considero bastante pessoal e tinha dúvidas se interessaria a outrem. Bom, depois de tanto refletir, aqui estou eu, afinal de contas, oras, este é um blog de caráter pessoal e subjetivo.

Há tempos me incomoda a fixação masculina de se depilar. Tudo bem que em certos casos é justificável, como os fisiculturistas, que o fazem para evidenciar melhor os músculos; os nadadores, para deslizarem melhor na água, e outros casos. Mas daí o pobre mortal lançar mão dessa prática no seu dia-a-dia me intriga. É certo não compreendermos coisas e situações que são estranhas ao nosso modo de vida, mas juro que já refleti sobre a questão diversas vezes e só me surgiram mais perguntas. A moda não começou com a onda do metrossexual (graças a Deus, essa febre está passando. Igual à febre da Lacraia do Funk; “alô, alguém ainda se lembra dela?” Alguém já chegou a comentar com você sobre o filme pornô que ela fez? Sim, essa abominação é verdade!), mas foi impulsionada por ela.

Homem depilado por quê?

Hipótese 1: Por questões de higiene? Os egípcios se depilavam por questões de higiene, afinal piolhos era uma praga freqüente na época e na região. Mas hoje? Que questões de higiene seriam essas?

Hipótese 2: Por questões estéticas? O ideal grego de beleza preconizava a depilação dos corpos masculinos, fato evidenciado na estatuária do período e nas pinturas. Hmmm, um retorno ao Classicismo nos anos 2000? Meio improvável.

O mais interessante é a parcela de mulheres que apóia e aprova tal prática. Será por que ela resulta em homens com aparência menos masculinizada (não há como negar isso, por favor) e dessa forma, elas esperam que a aparência reflita no interior masculino e eles se tornem mais gentis e sensíveis, tal como elas idealizam a natureza masculina?

A finalidade desse texto, tudo o que foi dito até aqui, foi para chegar aos pentelhos. (É, aos pentelhos, porque “pelos pubianos” fica muito técnico para essa conversa informal.) A moda agora é o homem raspar os pentelhos! Já não bastava depilar peito, pernas, bunda, agora eles raspam os pentelhos! (Prática igualmente aprovada pelas mulheres, segundo li em fóruns de discussões na internet, elas adoram que o companheiro depilem o pau (é, "pau" também, uma vez que este humilde blog não se destina a crianças). Questões e mais questões. Particularmente, como nas demais partes do corpo, considero horrível. Dá uma aparência de imaturidade, de genitália infantil, pois, como sabemos, os pentelhos são um dos marcos da entrada na adolescência. Então os apreciadores desse visual teriam uma determinada inclinação à pedofilia? (Por favor não me apedrejem, é só uma indagação!) Sob outro ponto de vista, a genitália raspada também lembra a anatomia de um boneco, ou um andróide. Desejo inconsciente de se eliminar as emoções, tão características do ser humano, para se fazer sexo com uma máquina?

Dando uma lida rápida em artigos da internet, encontrei duas principais funções dos pentelhos (lá, conhecidos como “pelos pubianos”, claro: )

1) Proteção da área genital. Bem como temos as sobrancelhas, que protegem os olhos do suor; as unhas, que protegem os dedos; e as vibrissas (pelos internos das narinas), que protegem o trato respiratório. Alguém discorda disso?

2) Aumento da excitação sexual devido ao atrito dos pelos. Hellou?, qual é a graça de esfregar sabonete contra sabonete? Preciso falar mais?

Nos filmes pornôs, genitálias raspadas são extremante comuns, mas claro que aqui também há justificativa: a ausência de pelos mostra o órgão sexual com mais detalhes, finalidade de um filme pornô, ou seja, “práticas sexuais em sua essência física (mecanizadas, diga-se de passagem, salvo raríssimas exceções)”. Será que o nosso homem-pobre-mortal, ao raspar os pentelhos, se julga um ator pornô? Um garanhão? “O” fodão? Capaz de realizar o mesmo desempenho daquele ator cuja performance ele tanto admira?

Ou ele se julga um andróide, uma máquina de fazer sexo?

Ou uma criança ingênua descobrindo seus impulsos sexuais?

Questões...

Concluindo, tudo é uma questão de gosto pessoal, claro; alguns mais peludos dizem que os pelos do torso, por exemplo, quando, em abundância, incomodam e aumentam a sensação de calor, tudo bem (não tenho experiência própria para confirmar isso), uma aparadinha já resulta num efeito legal né, também não andemos por aí à la Cláudia Ohana (ela deve se arrepender até hoje de ter fotografado daquele jeito. Alguém se lembra de algum trabalho dela na TV ou no cinema? Mas dos pentelhos todo mundo se lembra, ô referência triste!) Mas daí raspar os pentelhos para acompanhar a moda, já é um pouco demais, é artificial, é vulgar, afinal você não é aquele boneco vivo do filme pornô!

P.S. Esta semana, fazendo pesquisa de tendências, encontrei um ser humano de verdade desfilando para Vivienne Westwood. Só mesmo ela, com toda sua anarquia estética, a musa-mãe do movimento punk, para, em tempos de homem-sabonete, colocar um homem de verdade na passarela. Ou ser assim, hoje em dia, é que é ousado???



Para quem achava que eu ia postar uma foto de pentelhos raspados, resolvi postar um ser humano (com seus pelos naturais).


Desfile Verão 2009 Vivienne Westwood.