A comunicação virtual, que vem
ganhando muito terreno nas últimas décadas, tem como destaque dois
pesquisadores de ideias opostas: Jean Baudrillard e Pierre Lévy.
Baudrillard,
conhecido como o profeta do fim, considera que a extensão incondicional do
virtual determina a desertificação do espaço real, pois a expansão daquele dá-se
às custas deste. A mídia transforma a comunicação em espetáculo vazio de
sentido. Para Baudrillard, a circulação de mensagens em tempo real não significa
o crescimento da produção de informação e conhecimento, mas a sua
inviabilização.
Pierre
Lévy, o profeta do futuro, acredita que o virtual gera um exercício de
criatividade e a garantia dos processos comunicacionais, através da criação de
sentidos.
Enquanto
meio de comunicação em massa, a internet anula o contato social e o processo de
comunicação interpessoal. Levando em
consideração o conceito de comunicação desenvolvido por Ivan Bystrina, nesse
caso, poderíamos dizer que não há comunicação, e sim um processo de informação unilateral,
uma vez que a reação do receptor não é observada em grande parte dos contatos
virtuais e, quando o é, essa reação pode ser fingida, pode ser representada,
simulada (Baudrillard nos fala sobre o “simulacro da realidade”), pois, como diz Eduardo Cabral num artigo que
citarei ao pé da página, “na realidade virtual é muito fácil parecer e mostrar
para os outros aquilo que você é e gostaria de ser. Mas no mundo real, o ‘Ser’
é, e sempre será, totalmente insubstituível.” Eduardo Cabral batiza esse
usuários de Geração T, “que é viciada em só Testemunhar e/ou,
no máximo, relatar, e tem medo de viver.”
Ora,
se não há vivência, não há a continuidade do saber cultural; tanto que, o que
observamos na internet é a repetição das idéias de outrem, sem argumentação ou
embasamento, são “informações vazias”, apenas repasses de esboços de ideias sem
conteúdo.
O
virtual pode, como preconiza Lévy, produzir novos sentidos e ser um rico meio
de comunicação, mas, enquanto seus usuários não se conscientizarem disso, o que
temos assistido é, como diz Baudrillard, o simulacro da realidade.
NOTA:
Artigo escrito por Eduardo
Cabral, postado no site Comunicadores:
A ‘Geração T e seus estranhos
valores’.
Acesso em 20/12/2012.



