O dom de enfeiar esta cidade continua firme. Agora, às vésperas do Dia de Finados, resolveram pintar novamente os muros do Cemitério do Alecrim. Trocaram o terrível amarelo-ocre pelo medonho azul-choque! Péssimo!
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
JEAN BAUDRILLARD E O ESVAZIAMENTO DA ESFERA PÚBLICA
A comunicação virtual, que vem
ganhando muito terreno nas últimas décadas, tem como destaque dois
pesquisadores de ideias opostas: Jean Baudrillard e Pierre Lévy.
Baudrillard,
conhecido como o profeta do fim, considera que a extensão incondicional do
virtual determina a desertificação do espaço real, pois a expansão daquele dá-se
às custas deste. A mídia transforma a comunicação em espetáculo vazio de
sentido. Para Baudrillard, a circulação de mensagens em tempo real não significa
o crescimento da produção de informação e conhecimento, mas a sua
inviabilização.
Pierre
Lévy, o profeta do futuro, acredita que o virtual gera um exercício de
criatividade e a garantia dos processos comunicacionais, através da criação de
sentidos.
Enquanto
meio de comunicação em massa, a internet anula o contato social e o processo de
comunicação interpessoal. Levando em
consideração o conceito de comunicação desenvolvido por Ivan Bystrina, nesse
caso, poderíamos dizer que não há comunicação, e sim um processo de informação unilateral,
uma vez que a reação do receptor não é observada em grande parte dos contatos
virtuais e, quando o é, essa reação pode ser fingida, pode ser representada,
simulada (Baudrillard nos fala sobre o “simulacro da realidade”), pois, como diz Eduardo Cabral num artigo que
citarei ao pé da página, “na realidade virtual é muito fácil parecer e mostrar
para os outros aquilo que você é e gostaria de ser. Mas no mundo real, o ‘Ser’
é, e sempre será, totalmente insubstituível.” Eduardo Cabral batiza esse
usuários de Geração T, “que é viciada em só Testemunhar e/ou,
no máximo, relatar, e tem medo de viver.”
Ora,
se não há vivência, não há a continuidade do saber cultural; tanto que, o que
observamos na internet é a repetição das idéias de outrem, sem argumentação ou
embasamento, são “informações vazias”, apenas repasses de esboços de ideias sem
conteúdo.
O
virtual pode, como preconiza Lévy, produzir novos sentidos e ser um rico meio
de comunicação, mas, enquanto seus usuários não se conscientizarem disso, o que
temos assistido é, como diz Baudrillard, o simulacro da realidade.
NOTA:
Artigo escrito por Eduardo
Cabral, postado no site Comunicadores:
A ‘Geração T e seus estranhos
valores’.
Acesso em 20/12/2012.
domingo, 14 de abril de 2013
COMERCIAL DE AUTOMÓVEL
domingo, 31 de março de 2013
NÓIA BOY SE ESTRESSA COM...
Pessoas que andam na rua olhando para trás e, invariavelmente, se esbarram na gente!!! Cacete!
quinta-feira, 28 de março de 2013
NÓIA BOY SE ESTRESSA COM...
Acho que vou abrir uma série no blog: NÓIA BOY SE ESTRESSA COM...E a estréia é: Noiaboy se estressa com pessoas que ficam conversando no celular em locais públicos como se estivessem na sala de casa. Porra, eu não preciso saber que sua vizinha pariu ontem à noite e que foi parto cesariano! Também não sou obrigado a ficar ouvindo você de mimimi namorando pelo celular. Cacete!
terça-feira, 12 de março de 2013
SEXO, SUOR E CERVEJA
Assistindo à TV esta semana, comecei a refletir sobre o bombardeio de comerciais idiotas e alienantes a que somos obrigados a presenciar. Dois dos que mais me irritam são comerciais de carro e de cerveja. E não só porque eu não consumo esses dois itens, mas porque eles são incisivos, inexoráveis, repetitivos, e passam a imagem de que você será admirado por todos, e, por isso mesmo, eternamente feliz, se os consumir.
Os de cerveja conseguem ser amplamente mais irritante que os de carro, a começar pela trilha sonora estridente que sempre os acompanha , mostrando pessoas, preferencialmente, na praia ou no churrasco se divertindo loucamente como não se houvesse amanhã. Sempre. E essas pessoas só são felizes quando estão bebendo, perpetuando o estereótipo de que o indivíduo precisa consumir álcool para se sentir bem e ser aceito pelo grupo.
Comerciais de cerveja são escandalosamente machistas, começando pela imagem da garrafa sendo aberta e ejaculando o sêmen dourado do êxtase. O recipiente se converte em símbolo fálico que explode, distribuindo alegria a quem dele faz uso. É Priapo fazendo as honras da casa. Futebol e mulheres também estão presentes. No entanto, essas mulheres não são humanas, são personificações de fantasias sexuais, são quase reproduções de bonecas eróticas, objetos dispostos a satisfazer a necessidade sexual e a necessidade de que o homem tem de aparentar potência e virilidade diante dos amigos. A mulher é rebaixada a um objeto de consumo, reduzida a seu estado mais torpe e vulgar. E esses estereótipos se repetem em quase todos os comerciais de todas as marcas, como se houvesse um manual do mau gosto a ser seguido.
A cerveja e sua ejaculação extática!
Priapo e o falo da fertilidade!
Gostosões saudáveis reunidos para abater... ops!, conquistar mulheres gostosas.
Gostosona: objeto de consumo tanto quanto a garrafa de cerveja.
Mulheres de pele tão dourada quanto a própria cerveja!
Comercial de cerveja levando a vulgaridade ao extremo!
Comercial vintage mostrando que para se ter a alegria da vida precisa beber!
Recentemente, um comercial de cerveja gerou protestos nas redes sociais, por incentivar a violência sexual contra a mulher. Para saber mais, aqui:
E para não falar que o fato é unânime, seguem dois comerciais de extremo bom gosto, sem deixar de lado a conotação sexual:
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
EROTISMO: HOMO OU HETERO?
Um dos termos que tenho encontrado com muita freqüência é “homoerotismo”:
literatura homoerótica, pintura homoerótica, fotografia homoerótica etc...
Observando,
num certo blog sobre manifestações artísticas, pinturas cujos modelos eram
rapazes seminus e que foram classificadas de homoeróticas, comecei a me questionar o que caracterizaria a arte
homoerótica. Ou melhor: qual teria sido a origem desse termo e se ele não
estaria sendo empregado de forma banalizada.
Aquelas
pinturas eram homoeróticas apenas porque quem pintou os rapazes era outro rapaz?
Seria esse termo direcionado a uma relação criador/criatura ou ao conteúdo da
obra? Comecei a analisar exemplos e tentar classificá-los em homoerotismo por
conteúdo ou por relação (talvez a Semiótica tenha termos mais apropriados para
isso), para ver se chegaria a uma conclusão da origem e emprego do termo.
Se falamos em conteúdo homoerótico, as pinturas de Egon
Schiele e Gustav Klint seriam homoeróticas por retratarem mulheres seminuas se enroscando lascivamente;
ao passo que uma mulher única em cena, como não está em relação afetivo/sexual
com outra mulher, não seria homoerótica.
Danae, de Gustav Klimt. O artista retrata a princesa em pleno êxtase sexual, enquanto é fecundada por Zeus metamorfoseado em chuva de ouro. Arte erótica? Heteroerótica?
Leda, de Gustav Klimt. Zeus metamorfoseado em cisne seduz a rainha de Esparta. Arte zooerótica?
Duas Mulheres, de Schiele. Arte homoerótica? Artista homoerótico?
Quando um homem retrata outro, mesmo sozinho em cena, lá vem
a taxação de homoerotismo. Nessa relação artista/criação, mesmo sabendo que
Francis Bacon era homossexual, seria considerada sua obra homoerótica? Seus
homens nus solitários em cena ou suas representações de relações sexuais nas
quais não conseguimos distinguir o sexo dos participantes, por seu conteúdo, se
não conhecêssemos a orientação sexual do criador, poderia ser considerada
homoerótica?
Anne Rice, autora da série “Crônicas Vampirescas”, criou um
universo de vampiros homossexuais (Lestat, Armand, Louis, Marius...); no
entanto, a mulher, presumivelmente heterossexual, que os criou elimina a classificação de homoerotismo pela relação
criação/obra.
O polêmico
fotógrafo tcheco Jan Saudek retrata principalmente mulheres e a eterna disputa
de poder homem/mulher, em poses provocativas; mas fotografou, também, dois
homens se beijando impetuosamente (provavelmente pai e filho). Como classificá-lo?
Um fotógrafo heteroerótico com um registro homoerótico? Um fotógrafo simplesmente
erótico, que abrange as variantes de orientação como um todo?
Fotografia de Jan Saudek. Erotismo.
Jan Saudek. Duas mulheres, uma representando papel feminino e outra, masculino. Homoerotismo?
Jan Saudek. Homoerotismo? O que a Academia estuda: a obra ou o autor?
Acredito que arte erótica é simplesmente erótica, sem
classificação de hetero ou homo (afinal ninguém fala em HETEROerotismo); e que
esse termo tenha surgido como forma de distinguir o modelo representado, uma vez
que a maioria dos artistas acadêmicos retratavam mulheres.
No entanto, o erotismo, bem como o desejo humano, é bem mais amplo
que qualquer classificação acadêmica...
As fotos acima são de Robert Mapplethorpe. Artista assumidamente homossexual. Apesar disso, como classificar sua obra?
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