quinta-feira, 7 de outubro de 2010

NIILISMO





Nessas últimas semanas tô mega-sem-saco. Prá tudo! As pessoas acham que a gente tem obrigação de estar sorrindo o tempo todo, aptos a jogar conversa fora a qualquer momento. Porra, eu me reservo no direito de ter mau-humor, de não ter que ficar criando assunto para conversar, de me encher de conversar sempre sobre as mesmas coisas. Não tenho saco de ficar sorrindo quando um papo é desagradável, nem tenho paciência de ficar ouvindo só para agradar. Aí vocês vão dizer que sou chato: é por isso que o blog se chama "Noiaboy". Sou chato mesmo! E me reservo no direito de ser chato, de me isolar das pessoas quando não tô com paciencia de me relacionar como seres reais e/ou viventes. Gosto de silêncio quando chego em casa à noite cansado de um dia longo de trabalho.



Estou descrente com as pessoas, não consigo entender (e não consigo mesmo!) coisas do tipo:



1) "Ah, eu não tenho amigos, porque não sou daqui. Sou muito sozinho, e meu ex me traiu. Eu tive vontade de me jogar debaixo de um carro!" Aí você perde horas de sono conversando com essa pessoa no MSN, para não deixá-la mais arrasada do que ela já está (OK, posso ser chato, mas ainda me resta uma ponta de companheirismo pelo próximo - quase nada, admito, mas existe. ) Aí, no dia seguinte, a pessoa diz: " Ah, nós voltamos! Eu amo ele (sic)!" E você tem vontade de dizer: "Beleza, até ele aprontar uma próxima com você!" Mas sua boa-educação não permite.



2) "Achei você interessante. Vamos conversar?" Ok, vamos. Há troca de telefones, o papo é agradável, aí no dia seguinte, a pessoa entra no MSN (porra, MSN de novo né?), você puxa assunto, a pessoa não responde, diz que está lendo algumas coisas. Aí mais uma vez a boa-educação te impede de madar tomar no cu.



Fui navegar e resolvi dar uma procurada no termo NIILISMO, para conferir se era mesmo o que eu achava que era. Me descobri niilista. Não sei se estou niilista, ou se sempre fui.



Em todo caso, segue um trecho que achei interessante. E como não sou trambiqueiro (até já tentei ser algumas vezes, mas não tenho talento para isso), após o texto, vem a notinha informado o site de onde o copiei.




"Niilismo é a crença de que nenhum valor tem base e que nada pode ser conhecido ou comunicado. É frequentemente associado com extremo pessimismo e ceticismo radical que condena a existência. Um verdadeiro niilista não acredita em nada, não tem lealdades, e nenhum outro propósito (...) Você leva seus estudos, sua moral e seu dinheiro pro caixão? (...) As montanhas são só montanhas... E os bosques são só bosques... Para que se importar? Você vai mudar algo? E se mudar, para que vai mudar? A vida é muito curta."

Arthur Berval
Publicado no Recanto das Letras em 09/11/2006
Código do texto: T286669









segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"A Single Man"


Ontem fui ver “A Single Man”, filme de estréia do ex-estilista e agora diretor, Tom Ford, que, graças à imensa criatividade dos tradutores brasileiros, aqui passou s se chamar “Direito de Amar”, e não tem nada a ver com a novela de Walter Negrão , exibida pela Rede Globo nos anos 80 (Saudosa, por sinal. Antigamente se escreviam novelas interessantes.)


Fazia tempo que um filme não me fascinava tanto. Como Cinema, com C maiúsculo, a Arte.

Cada seqüência, cada diálogo, cada close, tudo é deslumbrante. E para quem conhece o trabalho do “texanô” no mundo da moda, vai reconhecê-lo no filme. Na elegância das tomadas, nas câmeras lentas que acompanham gestos banais do cotidiano, no close do olho do interlocutor, na fotografia que se transmuta em sépia, em tons azulados, ora mais saturada, ora menos contrastante, variando de acordo com a emoção sentida pelo protagonista.

O filme se passa na década de 60 e os figurinos de Arianne Phillips, mais conhecida como a figurinista das turnês mais recentes de Madonna, faz com que nos sintamos dentro da época, ajudado pela direção de arte.


A trilha sonora é um caso à parte, de tão linda. Já na abertura, a música nos prepara para a carga emocional do filme. É algo que lembra o John Barry de “Entre Dois Amores” (nos arranjos das cordas), Michael Nyman de “O Piano” (nas notas delicadas e repetitivas do piano e da harpa), com a carga dramática e as modulações que chegam a lembrar os lieder de Mahler. Assim que cheguei em casa, fui procurar a trilha sonora na internet, composta pelo polonês Abel Korzeniowski, que até agora não tem nenhum destaque na área cinematográfica, mas que tem uma pegada meio Wojciech Killar, um estilo contundente, mas delicado ao mesmo tempo. A trilha conta também com algumas canções, como "Stormy Weather" de Etta James, uma ária da ópera La Wally, de Catalani, e uma versão de Blue Moon, na voz de Jo Stafford.


Se esteticamente o filme é fascinante, seu conteúdo não fica por menos. O roteiro acompanha um dia na vida do professor universitário George Falconer, tentando recontruir sua vida, através de fragmentos de suas memórias, após a perda de seu namorado de 16 anos de relacionamento, num acidente de carro. Esse Ulisses joyciano, oprimido pela sociedade preconceituosa norte-americana dos anos 60, carrega o peso da dor da perda, ao mesmo tempo que precisa se envolver numa capa de falsas aparências para esconder sua ferida emocional.


O elenco é excelente. De Colin Firth e Julianne Moore não poderíamos esperar atuações menos que excepcionais. A narrativa é lenta, lembra muito “As Horas”, de Stephen Daldry, também com Julianne, o clima é sempre melancólico, contemplativo. Mas é um filme obrigatório para quem aprecia Cinema, (repito Cinema - a Arte). Não é um filme para os que curtem “Stalonne Cobra” ou “Marley e Eu”, por exemplo.


Está passando no Midway, numa sessão batizada de Cine Cult, as 14:00 h ( não poderíamos esperar que ele entrasse em circuito, né?) Mas dizem que já pode ser encontrado em DVD por aí.