quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Então é Natal...

Então é Natal... outra vez, mais uma vez. E o blog está prestes a comemorar um ano de existência. Se bem que nesse primeiro ano não houve muitas postagens... na verdade, foram bem poucas. É que sou como Claude Debussy, que compunha um acorde a cada três meses.
Esse blog surgiu com a finalidade desse que vos fala ter uma válvula de escape para suas neuras (noia boy = boy noiado, neurótico), falar o que o incomodava e que ninguém ouvia. Bom, aqui acho que também ninguém me lê, mas consigo exteriorizar minhas angústias, e me sinto bem melhor com isso. Resolvi escrever por causa de um filme pornô que vi esta semana. Se chama “Natal 100% Anal” (mas nem é 100% anal, na realidade), e olha só, foi um filme pornô que me fez descobrir que eu amo Natal (a data, não a cidade). No filme, quatro cenas de sexo se desenvolvem a partir de situações típicas do período natalino, como enfeitar a árvore, comprar e entregar presentes. Isso me remeteu à minha infância, quando a família era grande , meus avós eram vivos e todo ano nos reuníamos, mediante aqueles rituais de arrumar a casa, enfeitar o pé de jambo que tínhamos no jardim, montar o sino sanfonado de papel de seda, as velas verdes aromatizadas com o Papai e a Mamãe Noel, a preparação da ceia, enfim... como vocês podem perceber, as boas lembranças não são poucas. Mas quando isso se perdeu? Acho que com o falecimento do meu avô, a família se dissolveu. E tudo aquilo que era mantido coeso por ele, se despedaçou. Por isso, depois de adulto, passei a odiar o Natal (alguém lembrou do Grinch?); porque eu não tinha mais família para se reunir como antes, porque reconheci que era um estranho, que as coisas que agradavam a maioria das pessoas não me satisfaziam, quando comecei a perceber que não só o Natal, mas todas as datas comemorativas se transformaram em comércio. As pessoas não se importam mais com o significado das datas, se importam em aparentar se estão bem de vida, se importam se vão ganhar presente caro, ou o quanto as pessoas vão admirar aquele presente caro que ela comprou para o amigo secreto que ela não tem a mínima afinidade.
Enfim, eu já tenho fama de ser chato mesmo, mal humorado, anti-social, grosso, mas eu não consigo ser diferente, não consigo abrir um sorriso amarelo quando a situação não me agrada, não consigo me reunir de bom grado com a família para uma confraternização tomada de mise en scène. Acho um saco ter a obrigação de comprar presentes para as pessoas , de escrever cartões de Natal. Antes eu fazia isso. Confeccionava cartões para os mais próximos, mas depois vi que não valia a pena. O que vale é o que sentimos no decorrer do ano, as pessoas de quem gostamos, que gostam de nós e nos amparam. Isso a gente tem o ano todo para agradecer e retribuir, não precisa ser numa data comercial. Para as datas comerciais (antigamente conhecidas como “comemorativas”) , o que vale mesmo é colocar a máscara (como diria meu grande amigo Augusto de Campos) e desempenhar bem o papel.

O Natal de ontem...

... e de hoje!