sexta-feira, 29 de julho de 2011

A REINVENÇÃO DO AMOR

Recentemente eu estava refletindo a respeito de casamento/fidelidade, a partir de uma reportagem que vi na TV (assunto sobre o qual pretendo escrever num próximo post), quando me lembrei que já havia falado sobre a relação amor/casamento. Foi um arquivo que escrevi na faculdade e que foi publicado no Caderno Cultural do Jornal de Natal , em 04 de novembro de 2002.

Segue o artigo:


O amor é uma fraude. É. Aquele amor romântico cantado pelas vozes do mundo inteiro, meloso, arrebatador, sublime; aquele amor pelo qual se mataram Romeu e Julieta, Werther, Mariana (o terceiro vértice do triangulo de “Amor de Perdição”); aquele amor pelo qual choraram os escritores românticos, com o qual sonhavam as burguesinhas mergulhadas em tais fantasias...

O amor foi um artifício inventado para dar sentido à vida (falo do amor romântico, não daquele genuíno mãe-filho). É claro. Com que as pessoas sonhariam se não com o amor? Sem ele, como iríamos passar a vida esperando pelo Príncipe do Cavalo Branco? Já perceberam como as pessoas se frustram quando estamos sozinhos (e mais ainda, quando estamos sozinhos e bem)? Há coisa mais chata que festa de família com toda aquela tiarada perguntando pela namorada, “por que você está sozinho?”, “não vai arranjar namorada?” Parece que todos nós nascemos com o dever hereditário de encontrar alguém para casar, para viver feliz o resto da vida. Sim, porque, apesar de estarmos num mundo que se diz moderno, as pessoas ainda ficam estarrecidas quando um casal se separa, parece o fim dos tempos.

No filme “Eclipse de uma Paixão”, de Agnieska Holland, Arthur Rimbaud fala para seu amigo recente (e futuro amante), Paul Verlaine: “O que quer que mantenha famílias e casais juntos não é amor. É imbecilidade, egoísmo ou medo. O amor não existe. (...) existe interesse pessoal, ligação baseada em proveito pessoal. Existe prazer, mas não amor. O amor deve ser reinventado.”

Os poetas criaram o amor para generalizar uma infinidade de sentimentos nem sempre distintos. Se existisse amor entre casais, por que há separação depois de anos de convivência? O amor acabou? Não, nunca houve amor. Duas pessoas não se casam por amor. Casam-se por paixão, atração sexual, interesse, carência física ou emocional, afeição, conveniência, comodismo, para dar satisfação à sociedade, por medo da solidão ou por motivos diversos.

Se Goethe tivesse dado um outro final a Werther? Ele teria amado Carlota para sempre? Ou teria se cansado dela, depois de uns meses, uns anos de convivência a dois? Se Shakespeare tivesse poupado a vida de Romeu e Julieta, aquela paixão impulsiva e inconsequente teria se transformado em amor?, ou teria Julieta trocado Romeu por um cavalheiro mais bonito, mais sedutor ou mais emocionalmente equilibrado?

Dores de amor, recusas, relacionamentos proibidos... “O que é insuportável é que não há nada insuportável!”... Sábio Rimbaud... Ele estava certo desde aquela época: o amor precisa mesmo ser reinventado.






































sábado, 16 de julho de 2011

SAUDEK

Esse post é meio que um complemento do post anterior. Eu já tinha visto um pouco do trabalho de Jan Saudek, fotógrafo tcheco, como pesquisa para a realização de um trabalho pessoal. Recentemente, folheando um livro a seu respeito, resolvi procurar saber mais sobre ele, e fiquei fascinado com sua obra, que se inicia nos anos 50.




O mais fasciante, além do tratamento das imagens, é a naturalidade com que o corpo humano é mostrado (assunto do post anterior). Não aqueles corpos de plástico que a estética social prega nos dias de hoje, mas corpos reais, HUMANOS.




Seguem um breve resumo sobre Saudek e algumas de suas imagens:




"Jan Saudek nasceu em Praga em 1935. Quando muito jovem, ele e um irmão estiveram colocados num campo de concentração nazi e donde só por sorte conseguiram escapar às experiâncias de Josef Mengele. Saudek, que usa a fotografia como forma de expressão, foi um dos primeiros fotógrafos checos a ser conhecido no ocidente, o que lhe valeu a suspeita do governo checo até aos anos 80. As suas fotografias, inicialmente a preto e branco e, mais tarde, a cores, giram em torno da sexualidade e da relação entre homens e mulheres, velhice e juventude, vestuário e nudez. Em geral, adopta uma abordagem antagonista para alcançar poderosos efeitos pictóricos. Sem artifícios, a fotografia de Saudek penetra na plenitude da vida. A sua linguagem directa foi rápida e vivamente aclamada no mundo da arte."




















































No site oficial do artista (http://www.saudek.com/), há uma vasta galeria. Alguns trabalhos são mostrados em sequênicas de fotos. A que mais me emocionou foi a postada abaixo, intitulada "Where have all the flowers gone..."