Segue o artigo:
O amor é uma fraude. É. Aquele amor romântico cantado pelas vozes do mundo inteiro, meloso, arrebatador, sublime; aquele amor pelo qual se mataram Romeu e Julieta, Werther, Mariana (o terceiro vértice do triangulo de “Amor de Perdição”); aquele amor pelo qual choraram os escritores românticos, com o qual sonhavam as burguesinhas mergulhadas em tais fantasias...
O amor foi um artifício inventado para dar sentido à vida (falo do amor romântico, não daquele genuíno mãe-filho). É claro. Com que as pessoas sonhariam se não com o amor? Sem ele, como iríamos passar a vida esperando pelo Príncipe do Cavalo Branco? Já perceberam como as pessoas se frustram quando estamos sozinhos (e mais ainda, quando estamos sozinhos e bem)? Há coisa mais chata que festa de família com toda aquela tiarada perguntando pela namorada, “por que você está sozinho?”, “não vai arranjar namorada?” Parece que todos nós nascemos com o dever hereditário de encontrar alguém para casar, para viver feliz o resto da vida. Sim, porque, apesar de estarmos num mundo que se diz moderno, as pessoas ainda ficam estarrecidas quando um casal se separa, parece o fim dos tempos.
No filme “Eclipse de uma Paixão”, de Agnieska Holland, Arthur Rimbaud fala para seu amigo recente (e futuro amante), Paul Verlaine: “O que quer que mantenha famílias e casais juntos não é amor. É imbecilidade, egoísmo ou medo. O amor não existe. (...) existe interesse pessoal, ligação baseada em proveito pessoal. Existe prazer, mas não amor. O amor deve ser reinventado.”
Os poetas criaram o amor para generalizar uma infinidade de sentimentos nem sempre distintos. Se existisse amor entre casais, por que há separação depois de anos de convivência? O amor acabou? Não, nunca houve amor. Duas pessoas não se casam por amor. Casam-se por paixão, atração sexual, interesse, carência física ou emocional, afeição, conveniência, comodismo, para dar satisfação à sociedade, por medo da solidão ou por motivos diversos.
Se Goethe tivesse dado um outro final a Werther? Ele teria amado Carlota para sempre? Ou teria se cansado dela, depois de uns meses, uns anos de convivência a dois? Se Shakespeare tivesse poupado a vida de Romeu e Julieta, aquela paixão impulsiva e inconsequente teria se transformado em amor?, ou teria Julieta trocado Romeu por um cavalheiro mais bonito, mais sedutor ou mais emocionalmente equilibrado?
Dores de amor, recusas, relacionamentos proibidos... “O que é insuportável é que não há nada insuportável!”... Sábio Rimbaud... Ele estava certo desde aquela época: o amor precisa mesmo ser reinventado.







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