quarta-feira, 17 de abril de 2013

JEAN BAUDRILLARD E O ESVAZIAMENTO DA ESFERA PÚBLICA


         A comunicação virtual, que vem ganhando muito terreno nas últimas décadas, tem como destaque dois pesquisadores de ideias opostas: Jean Baudrillard e Pierre Lévy.
          Baudrillard, conhecido como o profeta do fim, considera que a extensão incondicional do virtual determina a desertificação do espaço real, pois a expansão daquele dá-se às custas deste. A mídia transforma a comunicação em espetáculo vazio de sentido. Para Baudrillard, a circulação de mensagens em tempo real não significa o crescimento da produção de informação e conhecimento, mas a sua inviabilização.
         Pierre Lévy, o profeta do futuro, acredita que o virtual gera um exercício de criatividade e a garantia dos processos comunicacionais, através da criação de sentidos.          
         Enquanto meio de comunicação em massa, a internet anula o contato social e o processo de comunicação interpessoal. Levando em consideração o conceito de comunicação desenvolvido por Ivan Bystrina, nesse caso,  poderíamos dizer que não há comunicação,  e sim um processo de informação unilateral, uma vez que a reação do receptor não é observada em grande parte dos contatos virtuais e, quando o é, essa reação pode ser fingida, pode ser representada, simulada (Baudrillard nos fala sobre o “simulacro da realidade”),  pois, como diz Eduardo Cabral num artigo que citarei ao pé da página, “na realidade virtual é muito fácil parecer e mostrar para os outros aquilo que você é e gostaria de ser. Mas no mundo real, o ‘Ser’ é, e sempre será, totalmente insubstituível.” Eduardo Cabral batiza esse usuários de Geração T, “que é viciada em só Testemunhar e/ou, no máximo, relatar, e tem medo de viver.”
          Ora, se não há vivência, não há a continuidade do saber cultural; tanto que, o que observamos na internet é a repetição das idéias de outrem, sem argumentação ou embasamento, são “informações vazias”, apenas repasses de esboços de ideias sem conteúdo.      
       O virtual pode, como preconiza Lévy, produzir novos sentidos e ser um rico meio de comunicação, mas, enquanto seus usuários não se conscientizarem disso, o que temos assistido é, como diz Baudrillard, o simulacro da realidade.






NOTA:
Artigo escrito por Eduardo Cabral, postado no site Comunicadores:
A ‘Geração T e seus estranhos valores’.
Acesso em 20/12/2012.

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