Então é Natal... outra vez, mais uma vez. E o blog está prestes a comemorar um ano de existência. Se bem que nesse primeiro ano não houve muitas postagens... na verdade, foram bem poucas. É que sou como Claude Debussy, que compunha um acorde a cada três meses.
Esse blog surgiu com a finalidade desse que vos fala ter uma válvula de escape para suas neuras (noia boy = boy noiado, neurótico), falar o que o incomodava e que ninguém ouvia. Bom, aqui acho que também ninguém me lê, mas consigo exteriorizar minhas angústias, e me sinto bem melhor com isso. Resolvi escrever por causa de um filme pornô que vi esta semana. Se chama “Natal 100% Anal” (mas nem é 100% anal, na realidade), e olha só, foi um filme pornô que me fez descobrir que eu amo Natal (a data, não a cidade). No filme, quatro cenas de sexo se desenvolvem a partir de situações típicas do período natalino, como enfeitar a árvore, comprar e entregar presentes. Isso me remeteu à minha infância, quando a família era grande , meus avós eram vivos e todo ano nos reuníamos, mediante aqueles rituais de arrumar a casa, enfeitar o pé de jambo que tínhamos no jardim, montar o sino sanfonado de papel de seda, as velas verdes aromatizadas com o Papai e a Mamãe Noel, a preparação da ceia, enfim... como vocês podem perceber, as boas lembranças não são poucas. Mas quando isso se perdeu? Acho que com o falecimento do meu avô, a família se dissolveu. E tudo aquilo que era mantido coeso por ele, se despedaçou. Por isso, depois de adulto, passei a odiar o Natal (alguém lembrou do Grinch?); porque eu não tinha mais família para se reunir como antes, porque reconheci que era um estranho, que as coisas que agradavam a maioria das pessoas não me satisfaziam, quando comecei a perceber que não só o Natal, mas todas as datas comemorativas se transformaram em comércio. As pessoas não se importam mais com o significado das datas, se importam em aparentar se estão bem de vida, se importam se vão ganhar presente caro, ou o quanto as pessoas vão admirar aquele presente caro que ela comprou para o amigo secreto que ela não tem a mínima afinidade.
Enfim, eu já tenho fama de ser chato mesmo, mal humorado, anti-social, grosso, mas eu não consigo ser diferente, não consigo abrir um sorriso amarelo quando a situação não me agrada, não consigo me reunir de bom grado com a família para uma confraternização tomada de mise en scène. Acho um saco ter a obrigação de comprar presentes para as pessoas , de escrever cartões de Natal. Antes eu fazia isso. Confeccionava cartões para os mais próximos, mas depois vi que não valia a pena. O que vale é o que sentimos no decorrer do ano, as pessoas de quem gostamos, que gostam de nós e nos amparam. Isso a gente tem o ano todo para agradecer e retribuir, não precisa ser numa data comercial. Para as datas comerciais (antigamente conhecidas como “comemorativas”) , o que vale mesmo é colocar a máscara (como diria meu grande amigo Augusto de Campos) e desempenhar bem o papel.



3 comentários:
parece q estou vendo vc falando esse texto..haha adorei aqui. visitarei sempre. abs querido
Pura nostalgia amigo!Também senti saudades dos "Natais" da minha infância e também me lembrei do lindo cartão natalino que você me deu em 1997!
É uma pena que hoje já esteja tão diferente,a família mudou,tudo mudou.
Lembre que gosto de você do jeitinho que você é,mas também lembre que existem ocasiões em que usar esta terrível "máscara" se torna inevitável.
Cheiro!
Gatooooo, esqueça essa historia de presentes!!!
A coisa é como queremos que seja...
Sejamos felizes então....
O convite à marte continua de pé....estão dizendo que por lá será bem animado...porém papai noel chega mais atrazado que o normal...acho que por causa do transito...melhor...menos um para comer...ahahahahahahaha
bjbjbjbj
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