A sensação dos blogs de atualidades semana passada foi o novo clip da Lady Gaga, que vazou na rede (vazou, sei!, ela não tem assessoria de marketing por acaso): o tal de “Judas”. No vídeo, a performer (me recuso a chamá-la de cantora) faz coraçãozinho com as mãos (trash!), sensualiza com motocilclistas (motoqueiro é quem conserta motos), numa metáfora pós-contemporânea, segunda ela, dos cafajestes que traem as mulheres (daí a comparação com Judas) e elas continuam amando-o (como podemos ver, a metáfora pára por aí). Ela encarna uma Maria Madalena dona da situação, e novamente, segundo a própria, para mostrar o poder da mulher frente à sociedade e, óbvio, ao homem.
Bom, não precisa falar que causou escândalo na mídia. Mas claro que era a intenção. Porque quem não tem talento, tem que chamar atenção de alguma maneira, para que alguém se interesse em ouvir aquilo que ela chama de música. Sim, porque aquilo é péssimo. Voz ela não tem, senão não precisaria de tantos programas para distorcê-la; letra, menos ainda; e a melodia é sempre um poperô barato que gruda na cabeça da gente feito chiclete ploc na calçada sob o sol. Não me atrevo a chamá-la de cantora. Ela é uma performer, que faz aparições grotescas, que encarna personagens bizarros que nada condizem com o que ela profere em suas letras absurdas (gente o que é aquele “ale, ale, ale/ ale, alejandro!”?). Vestido de carne, cara de alienígena, apresentações em que ela finge automutilação e se esvai em sangue são atuações mais próximas de um estilo Marilyn Manson ( o antigo, porque o recente também se rendeu ao poperô à la Fábio Júnior e agora canta uma coisa cujo refrão diz: “Don't break, don't break my heart/ And I won’t break your heart-shapped glasses.” Duh!) Sem falar, que a jovem é um mosaico de tudo o que já foi feito no pop das últimas décadas, principalmente de Madonna, a quem ela copia abertamente e ainda tem a audácia de dizer que Madonna não é referência para seu trabalho (“Aham, senta lá Cláudia!”).
Resumindo, não vale a pena nem perder muito tempo com ela, por isso o post foi bem curto. Só resolvi escrever porque essa comoção pública em relação ao “Judas” me incomodou. Numa época em que o que se vê em galerias de artes são telas ovais com flores de pano de prato pintadas, ou podres imitações toscas das idéias de Jackson Pollock (ou seja, tinta acrílica jogada a esmo, sem um mínimo de conceito), Lady Gaga só comove mesmo a massa superficial sem referência alguma sobre música, arte ou contestação.
P.S. Para quem quer saber mesmo o que é crítica social/religiosa, sugiro conhecer a obra de cineastas como Pier Paolo Pasolini e Luís Buñuel.

O único registro interessante que já surgiu dela
(visualmente falando, porque musicalmente ela ainda não fez.)

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