O post em questão é, antes de tudo, uma autodefesa. Depois de muito ser taxado de pornógrafo, tarado e similares, resolvi falar sobre a fascinação que o corpo humano exerce sobre mim. Todos esses termos de que me acusam são errados, até mesmo no aspecto etimológico.
Lembro que, desde criança, eu já achava interessante o corpo humano, tanto que, por volta dos 6-7 anos, folheando um catálogo de vendas de livros pelos correios (naquela época não havia compras pela internet, nem internet havia), fiquei interessado num livro que ensinava a desenhar nus artísticos (sempre gostei de desenhar, desde a mais tenra idade), e fiquei eufórico em poder aprender a desenhar o corpo humano com suas curvas e texturas. Bom, não precisa falar que não me compraram o livro. O que não me fez perder a admiração pelo corpo humano.
Hoje, quando, na verdade, me taxam de pornógrafo, é porque consigo ver a beleza impressa no corpo humano. E quando falo em corpo humano, falo HUMANO mesmo, não aquelas bonecas industrializadas em que as pessoas têm se transformado: medidas perfeitas, milimetricamente obtidas nas mesas de cirurgia; aquela coisa quase mórbida dos ossos apontado sob a pele. Magros, gordos, altos, baixos, negros, brancos, índios, sem distinção, o corpo humano possui matizes cromáticas, variações de texturas, de perfumes (frescor, suor...), de temperaturas, de timbres de vozes, de dentes, de expressões, de gestos triviais, como a maneira de piscar os olhos ou erguer as sobrancelhas, de sorrir, de respirar.
O fato de filmes pornográficos me interessarem não é só pela situação sexual. É também pela admiração pelo corpo humano, formas, cores, as infinitas maneiras da utilização do corpo. Eu não curto filmes pornôs de forma generalizada. Eu me interesso pelos atuadores, pela situação encenada, me interesso por estilos de filmes, cada diretor, cada produtora tem suas características específicas, e só quem nunca parou para prestar atenção é que abre a boca para dizer: “Filme pornô é tudo igual.” Não é! Só diz isso quem nunca viu um filme realizado com uma boa produção.
Um das maiores personalidades do teatro brasileiro, Zé Celso Martinez Correa, fundador do Teatro Oficina, com o qual tive a imensa honra de trabalhar, no programa do espetáculo “Os Sertões - Homem II”, depõe: “Há 47 anos de profissão dou entrevista sobre porque eu “exploro” o nudismo. Tenho que explicar o mar. É o figurino mais belo do Teatro, (...), a inocência dos índios brasileiros já sabia disso.”
"As Bacantes" : montagem que se tornou marco do teatro brasileiro contemporâneo, realizada pelo Teatro Oficina nos anos 90.Os pintores que fugiram do Academicismo/ Classicismo não só celebram o corpo humano em sua naturalidade, destituído da aura de divindade esculpida, como propuseram reestruturações que, para os mais despreparados, podem parecer bizarras, absurdas, mas que é igualmente fascinante: Pablo Picasso o geometrizou no Cubismo; Francis Bacon o desconstrói e o vira do avesso; Lucien Freud o mostra numa naturalidade quase animalesca; Fernando Botero faz sua crítica social utilizando-se de personagens rotundos. Todas essas são visões tão fascinantes quanto as cheinhas de Peter Paul Rubens e as divindades humanas de Adolphe William Bouguereau.
As cheinhas de P.P.Rubens, padrão de beleza do século XVII.
O corpo cubista, por Pablo Picasso.
Francis Bacon e a desestruturação do corpo.


Francis bacon
Lucien Freud e a naturalidade do corpo.



"O Casal Arnolfini", Jan van Eyck, século XV.
Versão de Fernando Botero para "O Casal Arnolfini."
Versão de Fernando Botero para a Mona Lisa.
Lucien Freud e a naturalidade do corpo.


"O Casal Arnolfini", Jan van Eyck, século XV.
Versão de Fernando Botero para "O Casal Arnolfini."
Versão de Fernando Botero para a Mona Lisa.A consciência da perda do viço.
Egon Schiele e a distorção anatômica.
A concepção artística do século XX nos trouxe contestadores como Robert Mapplethorpe, cujo trabalho, extremamente fascinante, e que foi inúmeras vezes alvo de incompreensão, critica a hipocrisia da sociedade frente ao corpo despido. Como já citou Joãozinho Trinta num de seus carnavais na Beija-flor: “Todo mundo nasceu nu.” E o corpo nu deve ser tratado com tanta naturalidade quanto o corpo vestido. Claro, que não é por causa disso que iremos sair por aí como se vivêssemos numa colônia de naturismo, sou complemante a favor do bom senso, cada coisa em seu lugar. Refiro-me àquele tipo de pessoa que não pode ver um peitinho de fora na TV que vai logo condenando a espécie humana à eternidade no fogo do inferno. Também devemos saber separar espontaneidade de putaria. Uma coisa são visões com as de Mapplethorpe, de Egon Schiele, de Gustav Klimt. Outra coisa é a depravação moral que prega certos produtos sociais (“Abre as pernas, mete a língua/ Já viu como é que faz /Tira a camisa, bota-tira, entra e sai”), como letras de funk, e a utilização do corpo como produto de consumo, vide as mulheres frutas (tem até um desafio agora para ver quem consegue retirar o celular do meio das nádegas de uma dessas frutas do momento).
Isso vai de encontro a tudo que escrevi até agora. É a visão totalmente oposta da naturalização da nudez, isso é depravação moral. A humanidade foi construída por mentes e idéias e não por amontoados de carne pendurados em ganchos de açougue.
Egon Schiele e a distorção anatômica.Tela que chocou a burguesia no século XIX.
A concepção artística do século XX nos trouxe contestadores como Robert Mapplethorpe, cujo trabalho, extremamente fascinante, e que foi inúmeras vezes alvo de incompreensão, critica a hipocrisia da sociedade frente ao corpo despido. Como já citou Joãozinho Trinta num de seus carnavais na Beija-flor: “Todo mundo nasceu nu.” E o corpo nu deve ser tratado com tanta naturalidade quanto o corpo vestido. Claro, que não é por causa disso que iremos sair por aí como se vivêssemos numa colônia de naturismo, sou complemante a favor do bom senso, cada coisa em seu lugar. Refiro-me àquele tipo de pessoa que não pode ver um peitinho de fora na TV que vai logo condenando a espécie humana à eternidade no fogo do inferno. Também devemos saber separar espontaneidade de putaria. Uma coisa são visões com as de Mapplethorpe, de Egon Schiele, de Gustav Klimt. Outra coisa é a depravação moral que prega certos produtos sociais (“Abre as pernas, mete a língua/ Já viu como é que faz /Tira a camisa, bota-tira, entra e sai”), como letras de funk, e a utilização do corpo como produto de consumo, vide as mulheres frutas (tem até um desafio agora para ver quem consegue retirar o celular do meio das nádegas de uma dessas frutas do momento).
Isso vai de encontro a tudo que escrevi até agora. É a visão totalmente oposta da naturalização da nudez, isso é depravação moral. A humanidade foi construída por mentes e idéias e não por amontoados de carne pendurados em ganchos de açougue.













Um comentário:
Você como sempre dá um show nas referências para explicar um determinado tema. Uma pena a nudez ainda ser tão castigada nos dias atuais e uma pena também muita gente não ter olhos para ver a beleza que é corpo humano. Só faltou Helmut Newton para ilustrar ainda mais rs.
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